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Kageoni

 O **Capítulo 7** tem **1174 palavras**. Após o confronto entre meu pai e meu avô no teatro, uma calmaria se instalou na família. Ficamos sem visitar a casa dos meus avós em Sannomaru. Para mim, foi um alívio. Não ter que ficar na presença opressiva do monstro de olhos costurados espreitando atrás do meu avô fez com que a paranoia que me sufocava começasse a retroceder. A Lilyvale continuava sendo meu porto seguro, mas foi no dojo Mito Tobukan que as coisas realmente mudaram. O kendo deixou de ser apenas um lugar para eu extravasar frustrações e passou a ser algo de que eu realmente gostava. O mestre, Sr. Shimada, pareceu notar a diferença na forma como eu levava as aulas. Depois que meu avô se afastou, ele começou a variar os treinos em vez de apenas repetir os mesmos golpes. Num sábado ensolarado de outono, o Sr. Shimada confiscou as shinai de toda a turma. — Esgrima não é sobre força bruta. É sobre tempo, espaço e ritmo — anunciou, caminhando pelo tatame de madeira polida. O sol...

7 Os Amores Suicidas de Sonezaki

 O **Capítulo 6** tem **1527 palavras**. A rotina entre a escola e a casa dos meus avós ficava cada vez mais sufocante.   Estar na presença do meu avô era sempre pesado. Parecia que, a cada dia, o monstro que o seguia como uma sombra estava mais perto de descobrir que eu conseguia vê-lo. A única forma de descarregar aquela frustração era no treinamento de kendo. O professor começou a me dar mais atenção, provavelmente achando que eu tinha algum talento especial. Isso só piorava a situação: eu era forçado a treinar sob os olhos vigilantes e severos do meu avô. Para a Hikari, as coisas pareciam bem melhores. Minha avó a adorava. Além disso, minha irmã tinha um talento natural para a música. Como já era avançada no piano, aprender o koto foi muito mais fácil do que seria se fosse o primeiro instrumento. Naquele dia, meu avô levou apenas a mim e ao meu pai para assistir a uma peça que eu considerava o “Romeu e Julieta” japonês: *Os Amores Suicidas de Sonezaki* (*Sonezaki Shin...

kageokuri (revisado)

Parecia que 2006 tinha passado voando.   Na minha vida passada, eu nunca havia estudado em uma escola de elite. Na verdade, sempre fui meio atrasado nas matérias. Do ensino fundamental ao médio, faltava professor por greve ou qualquer outro motivo, e eu fui ficando cada vez mais defasado. Recomeçar desde jovem — primeiro no juku e agora na escola — exigiu que eu me esforçasse de verdade para reaprender.   Na maioria das histórias em que um adulto renasce como criança, ele é tratado como um gênio que sabe tudo. Se você perguntar a alguém quão difícil pode ser a prova de uma criança de seis anos, a resposta é: muito mais difícil do que se imagina. O raciocínio de um adulto é diferente. A lógica, as fórmulas e a história focada no Japão são bem mais complexas do que parecem. O juku em que a Hikari e eu estudamos me ajudou bastante, por mais rígido que fosse. A Lilyvale era, basicamente, uma escola para formar futuros líderes. O foco em inglês com professores estrangeiro...

Kageokuri

 ## Capítulo 5 Parecia que 2006 tinha passado voando. Na minha vida passada, eu nunca havia estudado em uma escola de elite. Na realidade, sempre fui meio atrasado nas matérias; basicamente, do ensino fundamental ao médio, sempre faltava um ou outro professor por greve ou qualquer outro motivo. Isso resultou em eu ficar cada vez mais defasado com o passar dos anos. Recomeçar desde jovem, primeiro no cursinho e agora na escola, exigiu que eu me esforçasse para reaprender e melhorar de verdade. Na maioria das histórias em que um adulto renasce como criança, ele é representado como um gênio que sabe tudo. Se você perguntar a alguém quão difícil pode ser uma prova ou uma tarefa de uma criança de seis anos, a resposta é: muito mais difícil do que você pensa. O raciocínio de um adulto é diferente do de uma criança, e a lógica, as fórmulas matemáticas e a história focada no Japão são muito mais complicadas do que se imagina. O Juku em que a Hikari e eu estudamos me ajudou bastante, por ma...

Iro oni (versão editada)

POV Katsuro — E é nessa escola que você quer que nossos filhos estudem? Miyabi elevou o tom, os olhos brilhando de indignação. — Aquilo não é uma escola internacional, é uma Free School disfarçada! Eles nem têm um prédio de verdade. As crianças ficam discutindo com os professores como se fossem iguais. Onde já se viu uma coisa dessas? Desse jeito, o que nossos filhos vão virar? Um freeter? Alguém sem emprego fixo e sem futuro? — Eles estão ensinando as crianças a pensar por si mesmas, em vez de apenas seguirem ordens como robôs. Esse é o futuro — respondi, mantendo o tom calmo, mas firme. — Aquela escola levou essa palhaçada de “educação relaxada” longe demais! É uma anarquia total! — ela cruzou os braços, irredutível. — Meus filhos não vão estudar naquele lugar de jeito nenhum. Vou ligar para uma amiga ainda hoje e ver se consigo uma vaga para eles fazerem o teste na Lilyvale Elementary, em Mito. Pelo menos lá terão uma educação decente e o status que merecem. Miyabi saiu pisando firm...

Esteriótipos asiaticos (versão revisada)

  Na minha vida passada, eu nunca entendi direito o estereótipo da “mãe asiática” ou das crianças prodígios. Foi preciso viver isso na pele para descobrir que a prova de seleção para uma escola primária no Japão consegue ser mais concorrida do que muito vestibular de medicina. A primeira coisa que você precisa entender sobre o sistema daqui é a rigidez do calendário: se você não nascer até o dia 1º de abril, perde o ano letivo inteiro e é forçado a esperar o próximo ciclo. Para a Hikari e para mim, a situação era ainda pior. Em 2005, Tsukuba já se consolidava como o Vale do Silício do Japão — a Cidade da Ciência. Para as crianças da elite local, o único destino aceitável aos olhos dos pais era a Escola Primária da Universidade de Tsukuba, que ficava em Tóquio. O problema real, porém, eram as etapas do exame. Primeiro, o Paper Test: o examinador lia uma história longa uma única vez e nós precisávamos responder a perguntas de lógica, raciocínio espacial, contagem oculta e memória ...

Esteriótipos asiaticos

 Na minha vida passada, eu nunca entendi direito o estereótipo da "mãe asiática" ou das crianças prodígios locais. Foi preciso passar isso na pele para descobrir que a prova de seleção para uma escola primária no Japão consegue ser mais concorrida do que muito vestibular de medicina. A primeira coisa que você precisa entender sobre o sistema daqui é a rigidez do calendário: se você não nascer até o dia 1º de abril, perde o ano letivo inteiro e é forçado a esperar até o próximo ciclo para se matricular. Para a Hikari e para mim, a situação era ainda pior. Em 2005, Tsukuba já estava se consolidando como o Vale do Silício do Japão — a Cidade da Ciência. Para as crianças da elite local, o único destino aceitável aos olhos dos pais era a Escola Primária da Universidade de Tsukuba, que ficava em Tóquio. O problema real, porém, eram as etapas do exame. Primeiro, o Paper Test: o examinador lia uma história longa uma única vez e nós precisávamos responder a perguntas complexas de lógi...