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kageokuri (revisado)

Parecia que 2006 tinha passado voando.   Na minha vida passada, eu nunca havia estudado em uma escola de elite. Na verdade, sempre fui meio atrasado nas matérias. Do ensino fundamental ao médio, faltava professor por greve ou qualquer outro motivo, e eu fui ficando cada vez mais defasado. Recomeçar desde jovem — primeiro no juku e agora na escola — exigiu que eu me esforçasse de verdade para reaprender.   Na maioria das histórias em que um adulto renasce como criança, ele é tratado como um gênio que sabe tudo. Se você perguntar a alguém quão difícil pode ser a prova de uma criança de seis anos, a resposta é: muito mais difícil do que se imagina. O raciocínio de um adulto é diferente. A lógica, as fórmulas e a história focada no Japão são bem mais complexas do que parecem. O juku em que a Hikari e eu estudamos me ajudou bastante, por mais rígido que fosse. A Lilyvale era, basicamente, uma escola para formar futuros líderes. O foco em inglês com professores estrangeiro...

Kageokuri

 ## Capítulo 5 Parecia que 2006 tinha passado voando. Na minha vida passada, eu nunca havia estudado em uma escola de elite. Na realidade, sempre fui meio atrasado nas matérias; basicamente, do ensino fundamental ao médio, sempre faltava um ou outro professor por greve ou qualquer outro motivo. Isso resultou em eu ficar cada vez mais defasado com o passar dos anos. Recomeçar desde jovem, primeiro no cursinho e agora na escola, exigiu que eu me esforçasse para reaprender e melhorar de verdade. Na maioria das histórias em que um adulto renasce como criança, ele é representado como um gênio que sabe tudo. Se você perguntar a alguém quão difícil pode ser uma prova ou uma tarefa de uma criança de seis anos, a resposta é: muito mais difícil do que você pensa. O raciocínio de um adulto é diferente do de uma criança, e a lógica, as fórmulas matemáticas e a história focada no Japão são muito mais complicadas do que se imagina. O Juku em que a Hikari e eu estudamos me ajudou bastante, por ma...

Iro oni (versão editada)

POV Katsuro — E é nessa escola que você quer que nossos filhos estudem? Miyabi elevou o tom, os olhos brilhando de indignação. — Aquilo não é uma escola internacional, é uma Free School disfarçada! Eles nem têm um prédio de verdade. As crianças ficam discutindo com os professores como se fossem iguais. Onde já se viu uma coisa dessas? Desse jeito, o que nossos filhos vão virar? Um freeter? Alguém sem emprego fixo e sem futuro? — Eles estão ensinando as crianças a pensar por si mesmas, em vez de apenas seguirem ordens como robôs. Esse é o futuro — respondi, mantendo o tom calmo, mas firme. — Aquela escola levou essa palhaçada de “educação relaxada” longe demais! É uma anarquia total! — ela cruzou os braços, irredutível. — Meus filhos não vão estudar naquele lugar de jeito nenhum. Vou ligar para uma amiga ainda hoje e ver se consigo uma vaga para eles fazerem o teste na Lilyvale Elementary, em Mito. Pelo menos lá terão uma educação decente e o status que merecem. Miyabi saiu pisando firm...

Esteriótipos asiaticos (versão revisada)

  Na minha vida passada, eu nunca entendi direito o estereótipo da “mãe asiática” ou das crianças prodígios. Foi preciso viver isso na pele para descobrir que a prova de seleção para uma escola primária no Japão consegue ser mais concorrida do que muito vestibular de medicina. A primeira coisa que você precisa entender sobre o sistema daqui é a rigidez do calendário: se você não nascer até o dia 1º de abril, perde o ano letivo inteiro e é forçado a esperar o próximo ciclo. Para a Hikari e para mim, a situação era ainda pior. Em 2005, Tsukuba já se consolidava como o Vale do Silício do Japão — a Cidade da Ciência. Para as crianças da elite local, o único destino aceitável aos olhos dos pais era a Escola Primária da Universidade de Tsukuba, que ficava em Tóquio. O problema real, porém, eram as etapas do exame. Primeiro, o Paper Test: o examinador lia uma história longa uma única vez e nós precisávamos responder a perguntas de lógica, raciocínio espacial, contagem oculta e memória ...

Esteriótipos asiaticos

 Na minha vida passada, eu nunca entendi direito o estereótipo da "mãe asiática" ou das crianças prodígios locais. Foi preciso passar isso na pele para descobrir que a prova de seleção para uma escola primária no Japão consegue ser mais concorrida do que muito vestibular de medicina. A primeira coisa que você precisa entender sobre o sistema daqui é a rigidez do calendário: se você não nascer até o dia 1º de abril, perde o ano letivo inteiro e é forçado a esperar até o próximo ciclo para se matricular. Para a Hikari e para mim, a situação era ainda pior. Em 2005, Tsukuba já estava se consolidando como o Vale do Silício do Japão — a Cidade da Ciência. Para as crianças da elite local, o único destino aceitável aos olhos dos pais era a Escola Primária da Universidade de Tsukuba, que ficava em Tóquio. O problema real, porém, eram as etapas do exame. Primeiro, o Paper Test: o examinador lia uma história longa uma única vez e nós precisávamos responder a perguntas complexas de lógi...

Koma (versao revisada)

É estranho nascer em uma família rica e tradicional, ainda mais no centro tecnológico do Japão. Para entender a pressão absurda que eu e a Hikari sofremos, é preciso saber o que estava acontecendo em 2005. O país finalmente começava a se recuperar da “Década Perdida” dos anos 1990. Com o boom nos setores automotivo e tecnológico, a empresa de médio porte onde meu pai trabalhava como diretor foi catapultada ao nível de multinacional. E, junto com ela, nossa família foi jogada direto no topo da elite regional. Acho que minha mãe passou por tempos muito ruins durante a quebra econômica. Por isso, essa virada repentina mexeu tanto com a cabeça dela. O que eu mais odiava em tudo isso era ver a Hikari sendo constantemente comparada a mim. Sempre que ela não se saía tão bem nas tarefas, o olhar da minha mãe ficava mais pesado. Meu pai, apesar de quase nunca estar em casa por causa do trabalho, tentava aliviar a barra quando aparecia. Eu sabia que ele era bem mais próximo da Hikari do que de m...

Taka oni (versao revisada)

 Nunca pensei no que aconteceria após a morte. Nunca fui religioso. Não via sentido em um céu de eterna felicidade, nem em um sofrimento eterno. Sempre achei que, quando o meu momento chegasse, restaria apenas o nada. De certo modo, era isso que dava sentido à minha vida. Sendo a única chance, você tem que aproveitar. Tem que batalhar. Tem que ser lembrado. Porque quando você parte, não sobra absolutamente nada. Por isso, imagine o meu choque ao acordar do que parecia um longo e denso sonho. Não sei ao certo quando recobrei a consciência por completo, mas calculo que tenha sido por volta dos meus cinco anos de idade. De todas as teorias e religiões que tentam explicar o pós-morte, a reencarnação era a última que eu consideraria real. Mas, adivinha só… eu estava completamente errado. Meu novo nome era Asahi Kanzaki. Sempre tive curiosidade sobre como seria ter um gêmeo. Ainda era um pouco estranho ver uma versão feminina de mim mesmo caminhando ao meu lado. Minha irmã se chama Hikar...