Capitulo 01: Taka Oni
Nunca pensei no que aconteceria após a morte. Nunca fui religioso. Não via sentido em um céu de eterna felicidade ou em um sofrimento eterno; sempre achei que, quando o meu momento chegasse, restaria apenas o nada. De certo modo, era isso que dava sentido à minha vida. Sendo sua única chance, você tem que aproveitar, tem que batalhar, tem que ser lembrado. Porque quando você parte, não sobra absolutamente nada.
Por isso, imagine o meu choque ao acordar do que parecia um longo e denso sonho. Não sei ao certo quando recobrei a consciência por completo, mas calculo que tenha sido por volta dos meus cinco anos de idade. De todas as teorias e religiões que tentam explicar o pós-morte, a reencarnação era a última que eu consideraria real. Mas, adivinha minha surpresa, eu estava completamente errado.
Meu novo nome era Asahi Kanzaki, sempre tive curiosidade sobre como era ter um gêmeo, ainda era um pouco estranho ver uma versão feminina minha, minha irmã se chama Hikari Kanzaki. Minha nova familia era de Tsukuba (Província de Ibaraki) pelo que parece éramos relativamente ricos meu pai era diretor de uma empresa de tecnologia, era muito estranho renascer no passado, era o ano de 2005 a era ondo o boom dos animes/mangás estava acontecendo uma coisa que ainda tenho que me acostumar e nascer em uma família tradicional. Nossa mãe levava o conceito de educação ao extremo. Em Tsukuba, o prestígio da família dependia de passarmos no exame de admissão da melhor escola primária no ano seguinte. Por isso, aos cinco anos, nossos dias eram ditados por folhas de caligrafia perfeitas de Hiragana e horas intermináveis no Juku — o cursinho preparatório infantil onde éramos ensinados a sentar como adultos e responder a questionários lógicos. Minhas memórias da vida passada me davam uma vantagem injusta naquelas tarefas maçantes, mas a Hikari... eu via o cansaço nos olhos da minha irmã após duas horas seguidas tentando dominar uma partitura de piano. O parquinho nos fundos de casa era o único refúgio onde ela podia ser, de fato, uma criança era exigido muito da minha irmã e eu, então o pouco tempo livre que tínhamos eu tentava fazer o melhor possível para ela ter uma infância feliz. E, no momento, a nossa maior válvula de escape era o parquinho nos fundos de casa.
— Taka oni! — gritei, subindo em um pulo no banco de madeira do jardim. — Estou no alto, você não pode me pegar, Hi-chan!
Hikari correu até a borda do banco, esticando os bracinhos e inflando as bochechas, frustrada.
— Asa-chan, não é justo! Você é muito rápido e não vale ficar muito tempo na cadeira! — ela protestou, batendo o pé no chão.
Olhei para os meus próprios pés, sentindo uma sensação estranha e quente circular pelas minhas pernas por uma fração de segundo, algo que eu vinha notando sempre que estipulávamos regras para as nossas brincadeiras. Desci do banco com um sorriso sem graça, coçando a nuca.
— Desculpe, desculpe... Vou ser mais devagar da próxima vez."
— ASAHI, HIKARI VOCÊS VÃO SE ATRASAR PARA O CURSO — minha mãe veio com uma cara de brava para cima de nós puchando nossas orelhas — Quantas vezes já disse para vocês não enrolarem antes do carro chegar, vocês estão todos suados o que as pessoas vão pensar da nossa família
— Desculpe, Okasaasama desculpe... Não vou vamos mais fazer isso de novo — HIkari e eu falamos ao mesmo tempo
Então quando éramos conduzidos para o carro acho que vi de relance um mostro rondando a cabeça da minha mãe, foi tão rápido que achei que fosse minha imaginação
— Sra Kanzaki, o carro já está pronto para levar as crianças para o curso — Falou um homem de aparecia seria de terno preto
Em quanto eu estava no carro comecei a refletir sobre o que eu vira, depois de alguns dias de ter recobrando minha consciência não conseguir perceber nada de especial no mundo, sem sistema ou ser misterioso me dando missões muito menos algum ser divino falando para eu salvar o mundo ou ser algum tipo de entretenimento. Mas por mais que tenha sido apenas por um momento tenho certeza que vi algo em cima da cabeça da minha mãe
— Hi-chan você viu algo quando a mãe chamou?
— Não — ela bufou e falou fazendo uma cara de brava — Você sempre faz a mãe brigar com a gente
—Desculpa, prometo que quando chegar em casa vou dar um bombom do meu estoque secreto
O silêncio retornou a reinar no banco de trás do carro preto. Olhei pela janela, observando o tráfego limpo e a calça organizada da cidade, tentei afastar minha mente da silhueta de monstro na cabeça da minha mãe, se esse mundo fosse algum tipo de fantasia urbana, eu precisava saber em que tipo de mundo eu estava, sei que sempre que brinquei de Taka oni com a HIkari sempre senti alguma sensação diferente, achei que era adrenalina ou só por eu está no corpo de uma criança energética, mais talvez não seja uma coisa normal.
O veículo estacionou em frente a um prédio moderno de fachada cinza. O letreiro discreto indicava a entrada do Jaku. O ambiente exalava um tensão silenciosa, dezenas de outras mães de elite deixavam seus filhos de cinco ou seis anos, todos vestindo uniforme engomados e com expressões que não pareciam que crianças de cinco anos deveriam ter. Minutos depois, HIkari e eu estávamos em cadeiras de madeira desconfortáveis, e mesa compridas. O professor, um homem alto e magro, que usava óculos redondos e expressão severa, começou a ditar exercícios de lógica e caligrafia avançada. Para mim preencher aquelas folhas era entediante, mas para HIkari, era uma tortura.
Olhei de soslaio para minha irmã. Os ombros dela estavam caídos, os dedinhos gordinhos tremiam apertando o lápis e seus olhos estavam marejados, fixos em um ideograma complexo de hiragana que ela havia bordado pela terceira vez. Se ela chorasse ali, o professor chamaria a atenção dela, o que significaria outra bronca da nossa mãe em casa. Eu precisava ajudá-la.
Esperei o professor virar de costas para escrever no quadro negro. Toquei de leve no braço da HIkari sub a mesa
— Hi-chan me da sua tarefa rapidinho vou te ajudar — sussurrei o mais baixo que pude.
No instante em que ela congelou a postura, assustada com meu chamado, peguei a tarefa e fiz o hiragana o mais rápido que pude e entreguei a ela antes que o professor notasse.
Quando o professor se virou de volta para a classe, os olhos dele passaram pela nossa mesa, mas ele não notou nada. Hikari olhou para a folha corrigida com os olhos arregalados, o choro sumindo instantaneamente de seu rosto para dar lugar a um alívio puro. Eu sorri de canto
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